Em 2014, Evan Duffield, um desenvolvedor de software e trader de criptomoedas, ficou frustrado com as limitações do Bitcoin para uso cotidiano: transações lentas (10 minutos de confirmação), falta de privacidade (tudo é público na blockchain), e um processo centralizado de desenvolvimento financiado por doações. Duffield forkou o Bitcoin e criou o XCoin (rebatizado como Darkcoin e depois Dash — Digital Cash), introduzindo três inovações fundamentais: InstantSend (transações instantâneas), PrivateSend (privacidade via coinjoin) e um sistema de governança e tesouraria auto-financiada. O problema que o Dash veio resolver era duplo: Bitcoin era lento e transparente demais para ser uma moeda digital prática.
O Dash introduziu uma arquitetura de dois níveis. O primeiro nível são os mineradores (Proof of Work X11, um algoritmo multi-hash que consome menos energia que o SHA-256). O segundo nível é composto por Masternodes — servidores que exigem 1.000 DASH como colateral (atualmente cerca de US$ 30 mil) e que fornecem serviços como InstantSend, PrivateSend e governança. Os Masternodes recebem 45% das recompensas de bloco, os mineradores 45%, e 10% vão para o tesouro da DAO. O InstantSend usa um sistema de "lock" via Masternodes que permite que transações sejam confirmadas em menos de 2 segundos. O PrivateSend mistura transações de múltiplos usuários através de um processo de coinjoin em múltiplas rodadas (3 standard, opcionalmente mais), tornando efetivamente impossível rastrear a origem dos fundos. O sistema de tesouraria permite que a comunidade vote em propostas de desenvolvimento, marketing e parcerias, financiadas diretamente da emissão de blocos.
O Dash foi pioneiro no modelo de DAO auto-financiada que seria copiado por inúmeros projetos depois. O Dash Evolution (lançado em 2021) adicionou contas de usuário com nomes legíveis, contatos, pagamentos recorrentes e uma plataforma de aplicações descentralizadas. O Dash foi amplamente adotado em países com inflação alta como Venezuela, onde se tornou meio de pagamento real em milhares de comércios. Evan Duffield se afastou do projeto em 2017, e a governança passou a ser conduzida pela Dash DAO (com mais de 7.000 propostas votadas até 2024). Em 2023, a Dash Core Group anunciou a descentralização completa e a transformação em Dash Platform. O Dash enfrentou competição crescente de moedas de privacidade como o Monero e de pagamento como o Litecoin, mas mantém uma base de usuários leais. A CoinxVista classifica o Dash como o pioneiro que provou que governança descentralizada e auto-financiamento eram viáveis, estabelecendo o modelo de tesouraria que se tornou onipresente no mercado cripto.