Em 2015, Ari Meilich e Esteban Ordano, dois desenvolvedores argentinos com experiência em realidade virtual e blockchain, imaginaram um mundo onde o metaverso não seria propriedade de uma empresa como o Facebook (Meta), mas governado por seus próprios usuários. O Decentraland nasceu como um projeto de pesquisa sobre mundos virtuais descentralizados, permitindo que qualquer pessoa comprasse terrenos (LAND), construísse experiências e monetizasse conteúdo sem pedir permissão a uma autoridade central. O problema que o Decentraland buscava resolver era a propriedade digital: em mundos virtuais como Second Life ou Roblox, a empresa dona da plataforma pode mudar as regras, confiscar ativos ou desligar os servidores a qualquer momento.
O Decentraland opera em duas camadas. O protocolo de consenso usa uma blockchain Ethereum para rastrear propriedade de LAND (parcelas de 16x16 metros do mundo virtual) e outros ativos. O conteúdo — modelos 3D, texturas, scripts — é armazenado em servidores descentralizados (IPFS) e renderizado no cliente do usuário. A governança do mundo é realizada pela DAO do Decentraland, onde detentores de MANA (o token de utilidade) e proprietários de LAND votam em propostas de atualizações, políticas de conteúdo e alocação de recursos do tesouro. O MANA é usado para comprar LAND, itens, wearables e pagar por serviços dentro do mundo. O Decentraland SDK permite que desenvolvedores criem cenas interativas usando TypeScript e bibliotecas 3D, incluindo jogos, galerias de arte, concertos e lojas virtuais.
O boom do metaverso em 2021-2022 transformou o Decentraland em um fenômeno global. Terrenos virtuais foram vendidos por milhões de dólares — o token MANA disparou de US$ 0,08 para US$ 5,90 em 2021. Marcas como Sotheby's, Samsung, Atari, e a gigante de moda Estée Lauder abriram lojas e experiências no mundo virtual. O festival de música "Metaverse Music Festival" atraiu artistas como Alison Wonderland e Björk. Mas o hype esfriou drasticamente: a contagem de usuários ativos diários caiu para algumas centenas, levantando questões sobre se o metaverso era real ou apenas especulação imobiliária digital. Em 2023, o Decentraland Foundation reduziu drasticamente sua equipe. Apesar da queda de popularidade, a infraestrutura continua operacional e a propriedade de LAND permanece descentralizada. A CoinxVista enxerga o Decentraland como o pioneiro do metaverso descentralizado — um experimento que provou que mundos virtuais governados por comunidades são tecnicamente viáveis, mesmo que o mercado ainda não tenha amadurecido para a adoção em massa.
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