Em 2014, Da Hongfei e Erik Zhang fundaram a Antshares (rebatizada como NEO em 2017) na China com uma visão clara: criar uma blockchain que estivesse em conformidade com as leis e regulamentações chinesas, ao contrário do movimento cypherpunk anti-regulatório do Bitcoin. A NEO foi projetada como uma "economia inteligente" onde ativos do mundo real seriam tokenizados (digitalizados na blockchain) com identidade digital verificada (NEO ID) e conformidade com KYC/AML. O problema que a NEO veio resolver era a lacuna entre o mundo blockchain e os sistemas legais existentes — para adoção empresarial e governamental, a blockchain precisava ser compatível com regulamentações, não um mecanismo para evitá-las.
A NEO usa um mecanismo de consenso Delegated Byzantine Fault Tolerance (dBFT), onde um comitê de nós de consenso (atualmente 7) valida transações e produz blocos a cada 15-20 segundos. Diferente de PoW ou PoS, o dBFT oferece finalização imediata — uma vez que um bloco é confirmado, ele não pode ser revertido. A NEO suporta múltiplas linguagens de programação para contratos inteligentes (C#, Java, Python, Go, TypeScript) através da NEO Virtual Machine (NeoVM), que é executada em uma sandbox determinística. O modelo de tokenomics usa dois tokens: NEO (que gera dividendos em GAS automaticamente) e GAS (token de utilidade para pagar taxas de transação e executar contratos). Qualquer detentor de NEO recebe GAS proporcionalmente — um modelo de "renda básica" para holders. A NEO também desenvolveu o NeoFS (armazenamento distribuído), o NeoID (identidade digital), e o Oracle da NEO para dados externos.
A NEO foi uma das primeiras grandes plataformas de contratos inteligentes a competir com o Ethereum, sendo apelidada de "Ethereum Chinês". O token NEO disparou de US$ 5 para US$ 200 em 2018 (ajustado por splits), tornando Da Hongfei e Erik Zhang milionários. No entanto, o projeto enfrentou imensos desafios: a proibição de ICOs e criptomoedas na China em 2017-2018 forçou a NEO a reorientar sua estratégia para fora da China, e o ecossistema de desenvolvedores nunca atingiu a escala do Ethereum. A NEO também sofreu com a percepção de centralização — apenas 7 nós de consenso é um número baixo. A NEO N3 (terceira geração) foi lançada em 2021 com melhorias significativas em desempenho, governança e Oracle. Da Hongfei continua liderando a NEO Foundation com foco em tokenização de ativos reais com identidade digital verificada. A CoinxVista classifica a NEO como um experimento importante em conformidade regulatória aplicada a blockchains, que provou que é possível inovar dentro de estruturas legais existentes — um modelo que pode se tornar relevante à medida que a regulação cripto se intensifica globalmente.
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