Em agosto de 2020, um desenvolvedor anônimo sob o pseudônimo "Ryoshi" lançou a Shiba Inu como um experimento em construção de comunidade descentralizada. Inspirado pelo sucesso do Dogecoin, Ryoshi queria criar uma moeda meme que fosse completamente controlada pela comunidade, sem um líder carismático como Elon Musk para impulsioná-la. O token foi lançado com metade do suprimento total de 1 quatrilhão de SHIB enviado para a carteira do Vitalik Buterin — um ato de "queima forçada" que também funcionou como um endosso indireto. O problema que o SHIB se propunha a resolver era a centralização em moedas meme: Dogecoin tinha Charlie Lee e Elon Musk como figuras de proa; Shiba Inu seria "a moeda do povo, pelo povo, para o povo".
O ecossistema Shiba Inu evoluiu muito além de um simples token meme. A equipe construiu o ShibaSwap, uma DEX no Ethereum com pools de liquidez e staking; o Shibarium, uma blockchain de camada 2 construída sobre o Ethereum usando o consensus deProof of Stake; e o Shiboshis, uma coleção de 10 mil NFTs que funcionam como identidades digitais no ecossistema. O mecanismo de queima do SHIB inclui taxas de transação em Shibarium que são convertidas em SHIB e queimadas, além de queimas manuais organizadas pela comunidade. A governança é realizada através do token BONE e do LEASH (um token mais escasso). O Shibarium, lançado em agosto de 2023, enfrentou problemas técnicos iniciais (ficou offline por horas no lançamento), mas se estabilizou e processa centenas de milhares de transações diárias.
O fenômeno Shiba Inu atingiu seu auge em outubro de 2021, quando o preço subiu mais de 1.000.000% desde o lançamento, criando uma nova classe de milionários cripto e transformando o SHIB na segunda maior moeda meme depois do Dogecoin. Vitalik Buterin queimou 90% dos SHIB que recebeu (cerca de US$ 6,7 bilhões na época), doando o restante para caridade na Índia. O projeto não tem uma equipe centralizada — é mantido por desenvolvedores voluntários e pela Shiba Inu Foundation. O anonimato de Ryoshi gerou especulação — muitos acreditam que Ryoshi é na verdade uma equipe de desenvolvedores. A CoinxVista analisa a Shiba Inu como um fenômeno fascinante de marketing descentralizado, onde uma comunidade construiu um ecossistema DeFi funcional a partir de uma piada, provando que no mundo cripto, o capital cultural pode ser tão valioso quanto o capital financeiro.
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